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Choro composto em um bonde

O porto-alegrense Octavio Dutra (1884-1937) já era um músico consagrado no país – em 1915 havia alcançado o recorde nacional de direitos autorais com 30 composições – quando, há 90 anos, num bonde da Carris, sentiu-se inspirado e começou a rabiscar em uma folha de papel. Mais um belo choro estava nascendo. A música instrumental ficaria conhecida como “Em um bonde”, ou “Choro composto em um bonde”. Em alguns livros, é registrada como “Companhia Carris”.

O “Choro composto em um bonde” é uma das 500 composições deste virtuose da música popular e erudita, um dos maiores nomes da música do Rio Grande do Sul nos tempos do gramofone e da vitrola. Consolidou sua obra em Porto Alegre. Entre outros temas, descreveu o progresso da cidade que abandonava o transporte por mulas e, em 1917, já contava com cerca de 70 bondes elétricos ingleses distribuídos em 10 linhas:  Duque, Gasômetro, Partenon, República, Navegantes, Independência, Passo da Areia, Azenha, Teresópolis e Menino Deus.

Além dos choros, fez sucesso com valsas, polcas e marchas carnavalescas. Compôs também para teatro de revista e reforçou o orçamento com jingles comerciais. O salto de Octavio Dutra para o reconhecimento foi a criação do grupo Terror dos Facões, em 1913. Na gíria da época, facão era o músico que tocava mal, não dominava seu instrumento. Pois Dutra, que tocava violão, bandolim e piano muito bem, reuniu alguns alunos virtuoses e formou um grupo que, de tão bom, nos locais onde se apresentavam, os demais músicos saíam de fininho para não passar vergonha. Daí o nome Terror dos Facões. O escritor Henrique Cazes, que compilou a história do choro brasileiro, afirma que, embora o ritmo fosse um fenômeno carioca, algumas das melhores gravações da década de 1910 são do grupo gaúcho Terror dos Facões.

Dois pontos altos da carreira de Octavio Dutra ocorreram no Theatro São Pedro. Em 1921, regeu uma orquestra, “Os Batutas” composta por violões e cavaquinhos, coisa inédita na história daquele palco. Em 1923, pela primeira vez no Brasil, a ópera O Guarany, do maestro Carlos Gomes, é executada por uma orquestra com esses instrumentos.

A dificuldade em se receber os direitos autorais combinada com uma certa pendência à boemia fizeram com que Octavio Dutra jamais conseguisse economizar o suficiente para comprar uma casa própria. O homem que compôs a trilha sonora para os primeiros tempos dos bondes elétricos da Carris sempre morou em casas alugadas em Porto Alegre. Residiu na rua da Concórdia (anos 20), rua São Luiz (1929), Baronesa do Gravataí (1930), rua Cel. André Bello (1933), rua da Margem, hoje João Alfredo (1935) e rua da Olaria, hoje Lima e Silva (1937).

Ouça na TV Carris a música “Choro composto em um bonde”

Bibliografia
"Octavio Dutra na história da música de Porto Alegre", ano 2000, de Hardy Vedana, edição do autor, financiada com recursos do Fumproarte.



              


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