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Curiosidades

- A paixão do colecionador de automóveis antigos Dick Shappy é o Cadillac. Por conta das dezenas de modelos que ele restaurou, ganhou a admiração de aficcionados como o apresentador de televisão Jay Leno. Mas, sempre em busca de desafios, Dick reconheceu, na na cidade de West Warwick, em Rhode Island (EUA), um bonde Osgood Bradley de 1911, que acreditava-se extinto. Uma descoberta incrível: a decadente lanchonete, que funcionava há 50 anos, era um bonde de passado glorioso. A restauração trouxe de volta a beleza de sua clássica estrutura.

- A fábrica Osgood Bradley localizava-se em Worcester, Massachussets (EUA). Desde 1833, construía bondes elétricos e locomotivas. Em 1930, foi absorvida pela Pullman-Standard, que fecharia a divisão em 1958. Na época em que a Carris era administrada pela empresa norte-americana Bond & Share, a companhia importou 45 veículos fabricados pela Osgood, todos usados. O primeiro lote, com 20 bondes que substituiriam os antigos gaiolas ingleses, veio para Porto Alegre em 1934, oriundo da Richmond Railways de Staten Island, Nova York. O segundo lote, com 25 carros, desembarcou na capital gaúcha em 1946, proveniente da Worcester Street Railways, linhas de bonde que ligavam Boston a Worcester. Foram os últimos bondes comprados pela Carris, que deixaria de operar este meio de transporte em março de 1970. Há dois destes modelos em Porto Alegre no Batalhão da Polícia de Trânsito (Rua Prof. Freitas e Castro esquina com Avenida João Pessoa). Um deles serve como local para atendimento de ocorrências e outro como arquivo de documentos. A descoberta do restaurador Dick Shappy equivaleria em Porto Alegre, por exemplo, a alguém encontrar um dos elétricos ingleses importados pela Carris, que acredita-se extintos. Alguns modelos, adquiridos em 1909 da United Electric, seriam mais tarde modificados nas oficinas da companhia  - fechados e pintados de amarelo - e circulariam durante seis décadas. 

- Um dos mais renomados escritores gaúchos, Moacyr Scliar define o bonde não como um meio de transporte, mas como um estilo de vida. Ao recordar, escreveu dizendo que os leitores deveriam ouvir o suspiro que saíra do peito dele. Não por acaso, Scliar foi jurado do concurso de crônicas sobre bondes que a Carris promoveu em 2002 para selecionar os relatos que integraram o livro em comemoração aos 130 anos da companhia.

- A única linha a circular de madrugada em Porto Alegre era o Bonde Duque, que fazia a alegria dos boêmios mas provocava certo terror na população insone que escutava o ranger metálico de suas rodas. Era chamado de "bonde fantasma".

- Considerado pelo pesquisador Herdy Verdana um dos momentos mais importantes da música popular brasileira em Porto Alegre, o Jazz Carris animou bailes e festas na cidade durante os alegres Anos 30. Na época comandada pelos norte-americanos - o grupo Bond & Share controlou a Carris desde 1929 a 1954 -, a empresa começava a investir em lazer e cultura para os cerca de 500 funcionários. E o ritmo do jazz - muito em voga então - tinha tudo a ver com o que o diretor Mister Millender pretendia: além de entreter os trabalhadores, difundia a cultura dos Estados Unidos. Millender também mandou construir um teatro e um cinema na Carris. Quando quis formar a banda de jazz, Millender exigiu que todos os músicos fossem funcionários da empresa. Fez uma pesquisa interna para localizá-los entre os motorneiros, condutores e demais empregados. Descobriu daí que não contava com os chamados “músicos de frente”, de inquestionável qualidade, o que inviabilizaria seu projeto. Com sinceridade, o encarregado de organizar o grupo lhe disse que ou ele contratava músicos profissionais ou a banda ia ser um baita fiasco. Millender autorizou a contratação, mas manteve a exigência de que eles viessem a trabalhar na Carris. E foi o que aconteceu: saxofonistas, pianistas, cantores e bateristas viraram motorneiros, cobradores e fiscais. Não só o gaiteiro Pedro Raymundo, que estava começando sua carreira profissional, mas outros brilhantes músicos aportaram na Carris, como o saxofonista Marino dos Santos, o baterista Luiz Americano, o violinista Ulisses Bernardi e o pianista Hans Guampa. Como ninguém sabia pronunciar direito o sobrenome do alemão Hans, ele  acabou ganhando a alcunha de Guampa, que era a palavra portuguesa cuja sonoridade mais se assemelhava.

- Em 1992, quando a Prefeitura de Porto Alegre deu início ao projeto Poemas nos Ônibus, da Secretaria Municipal de Cultura, os veículos da Carris passaram a circular ostentando em suas janelas as palavras do maior poeta do Rio Grande do Sul e um dos mais venerados do Brasil. "Todos os ônibus deveriam passar pela casa de nossas bem-amadas", escreveu Quintana, especialmente para o olhar dos passageiros. O autor de Rua dos Cataventos, em cujo quarto no Hotel Majestic guardava a réplica em miniatura de um bonde da Carris, também colaborou com outra obra para o projeto, rememorando o meio de transporte que mais saudades deixou no imaginário dos porto-alegrenses:

"Acabaram-se os bondes amarelos... A
Frase me saiu em decassílabo, viste? E
O metro clássico já faz adivinhar um
soneto. Ficou neste verso único.
E deixo o bonde depositado em meu
ferro-velho sentimental. Aqui. Parado.
Sonhando.
Quem sabe se um dia..."

- Grandes nomes da literatura do Rio Grande do Sul colocaram os bondes de Porto Alegre em seus contos e romances. Em Clarissa, de Érico Veríssimo, um dos personagens perdeu as duas pernas num  acidente  de  bonde e sonha em marchar com exércitos. A tragédia envolvendo o veículo também está presente em “Na curva do arco-irís”, de Cyro Martins: um homem mata a mulher e o amante em um bonde em movimento. Mas talvez seja Dyonélio Machado o que mais aproveitou as potencialidades literárias dos amarelinhos da Carris. Em “O louco do Cati”, o protagonista inicia sua epopéia onírica embarcando em um bonde, vai até o fim de linha, tenta trocar uma nota antiga em um bar e acaba sendo levado por um grupo de jovens a uma excursão feita de caminhão pelo litoral. No seu romance mais famoso, “Os ratos”, as desventuras do personagem principal, que sofre com a falta de dinheiro para comprar leite, têm no bonde um cenário importante.

- O primeiro ônibus começou a circular em Porto Alegre em 1926, um Chevrolet Pavão comprado da firma Barcellos & Cia por Amador dos Santos Fernandes e Manoel Ramirez. A Carris passou a oferecer o serviço de transporte por ônibus, modelo White, em 1928 para localidades aonde as linhas de bonde não chegavam. Somente em 1963 os ônibus superariam os bondes em volume de pessoas transportadas. Naquele ano, 105 bondes da Carris transportaram 46% dos usuários e 800 ônibus e micro-ônibus de outras empresas conduziram 54% do total de passageiros. Em 1974, quatro anos após a extinção dos bondes, 66,5% das viagens em Porto Alegre eram feitas por ônibus, 27,5% por automóveis particulares, 1,56% por táxis e 1,3% a pé.

- O recordista de longevidade na empresa foi o ex-motorneiro Antônio Souza Costa, que exerceu inúmeras atividades na Companhia. “Seu Antônio” trabalhou até 2015, ano em que completava 68 anos de Carris. Nos últimos anos, exercia função na sala de leitura da empresa. Começou em 1947, guiando bondes. Passou por todas as linhas e depois foi para os setores administrativos. Quando atuava no Departamento Pessoal, percebeu que as digitais dos funcionários mais inteligentes seguiam o mesmo padrão. Daí criou um sistema que batizou de datilopsicologia, que vem a ser a avaliação do QI por meio das impressões digitais. Lançou um livro com o mesmo nome do método e já viajou para o Egito e Estados Unidos para demonstrar o sistema.

 



              



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