
Modelo Osgood Bradley foi fabricado em 1927
Pintado de amarelo, a cor principal dos bondes da Carris, e ostentando o logotipo oficial da companhia, o Osgood foi reformado também na parte interna e adaptado para receber a estrutura com os computadores a serviço da polícia de trânsito. A poucos metros de distância, no Pavilhão de Vistorias do Dptran (atrás do Palácio da Polícia, no bairro Azenha), um outro bonde octogenário exibe as feias marcas da passagem do tempo. Mas a restauração deste, que abriga os arquivos mortos do setor, é bem mais complicada e não está prevista. Exigiria o cortes da árvores que o encobrem e o deslocamento do veículo de 20 toneladas por meio de guindaste.

Outro Osgood, este não reformado, serve como arquivo
Os dois bondes integraram o último lote de elétricos adquiridos pela Carris, que deixaria de operar este meio de transporte em março de 1970. A fábrica Osgood Bradley localizava-se em Worcester, Massachussets (EUA). Desde 1833, construía bondes elétricos e locomotivas. Em 1930, foi absorvida pela Pullman-Standard, que fecharia a divisão em 1958. Na época em que a Carris era administrada pela empresa norte-americana Bond & Share, a companhia importou 46 veículos fabricados pela Osgood. O primeiro lote, com 20 bondes que substituiriam os antigos gaiolas ingleses, veio para Porto Alegre em 1934, oriundo da Richmond Railways de Staten Island, Nova York. Depois, em 1940, importou-se um único modelo, o Electromobile.

Bonde Osgood circulando no bairro Azenha em 1957
O terceiro e último lote, com 25 carros, desembarcou na capital gaúcha em 1946, também proveniente de Staten Island. Originalmente, serviram à Worcester Street Railways, linhas de bonde que ligavam Boston a Worcester, em Massachusetts. Eram, portanto, de terceira mão. Antes de transportar os porto-alegrenses, conduziram bostonianos e nova-iorquinos por desgastantes 18 anos. Deram muito trabalho para os mecânicos da Carris, conforme documentos da época, escritos em inglês, que relatam “the very very bad conditions” (as muito muito más condições) em que estavam várias peças destes bondes. E, depois de consertados, circularam até o fim do transporte elétrico na capital gaúcha em 1970.